JC e-mail 3886, de 10 de Novembro de 2009 – O Protocolo de Kyoto, um símbolo do movimento ambientalista, está prestes a ser substituído por um acordo mais radical para reduzir as emissões de carbono associado ao efeito estufa. O que virá da reunião que ocorrerá em dezembro em Copenhague?
“Nessa reunião, serão definidas metas para o comércio de emissões de carbono, mas apenas isso não garantirá uma redução maciça - surgirá uma legislação restritiva ao uso de petróleo, carvão e gás natural, além de reformas na agricultura. As conseqüências econômicas e sociais para o Brasil serão imensas e difíceis de prever. A posição do governo brasileiro não está definida, por isso o Partido Verde e os ambientalistas o acusam de falta de agilidade e, como previsível, o debate centra-se no tamanho das emissões, em vez da justificativa para a sua redução. Dada a grandeza da perturbação social e econômica associada à redução de emissões de carbono, deveríamos estar convencidos de que os benefícios associados compensam os custos enormes.
Desde 1989 já foram gastos mais de 80 bilhões de dólares em pesquisas climáticas para provar a hipótese que o aumento de dióxido de carbono na atmosfera causado pelos humanos é um problema grave. A despeito da enorme quantidade de publicações resultantes, ainda não há uma única prova científica que os humanos estão causando mudanças climáticas globais prejudiciais. As "evidências" ruidosamente apresentadas em relatórios do IPCC são definidas para apoiar conclusões preconcebidas, as quais não são apoiadas por dados empíricos ou observações do mundo real. A grande força de convencimento do IPCC é o número de cientistas que concordam com aquelas conclusões, além de reivindicar o consenso como forma de controle de qualidade da pesquisa do clima. Contudo, o voto não é uma forma segura de se descobrir a verdade científica.
A atmosfera da Terra aqueceu-se e esfriou várias vezes ao longo dos últimos 150 anos (esfriamento 1882-1910, aquecimento 1910-1940, esfriamento 1940-1975, aquecimento 1975-2000), tudo isso dentro da variabilidade natural do clima. Não há qualquer artigo científico que apresente uma prova irrefutável que esse comportamento foi causado pelos humanos. Uma prova científica não deve ser confundida com resultados de modelos climáticos hipotéticos. A noção de um clima imutável tem sido usada para nos enganar - por que foi esquecida a grande histeria no mundo durante os cerca de trinta anos de resfriamento global com início no final da década de 1930, apesar do crescente uso de combustível fóssil em função do "boom" pós 2ª Guerra Mundial? Por que não se fala no resfriamento global observado desde o ano 2004, a despeito do vertiginoso aumento no uso de combustível fóssil?
O IPCC é uma instituição governamental que, seletivamente, escolhe o que deve ou não ser publicado em seus relatórios. Portanto, deveria haver um "ombudsman" ou auditor para verificar se as suas pesquisas têm sido um bom investimento. É uma questão de responsabilidade social, saber se parte daqueles recursos não poderia ter sido mais bem gasta em incontroversos e reais problemas ambientais como poluição do ar, saneamento, fornecimento de água potável e melhores serviços de saúde, que sabemos afetam centenas de milhões de pessoas.”
José Carlos Parente de Oliveira é professor associado do Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará, doutor em Física com pós-doutorado em Física da Atmosfera. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail".
Fonte: Jornal da Ciência








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